sábado, 8 de dezembro de 2007

Como começou?

Como começou esta minha paixão pela culinária? Eu não tenho certeza, mas tenho minhas suspeitas, e elas são bem usuais, como na família de qualquer pessoa que tenha a mesma paixão eu acho. Sempre temos aquele parente mais próximo que ama cozinha e tudo que a envolve de alguma forma.
Por exemplo, minhas duas avós foram estas pessoas na minha vida, porém de formas bem diferentes:

Minha avó paterna (Vó Zita) era uma pessoa apaixonada pela comida até atingir os níveis da irresponsabilidade, uma vez que era diabética e comia doce como ninguém. Mas exageros à parte, ela tinha um caderninho bem surrado no qual ela escrevia o nome de cada neto e nele listava as comidas preferidas de cada um deles e cada vez que nós íamos passar uma temporada na casa dela, nos fartávamos de tanto comer. E não era só comer tudo o que você gostava aos poucos não, ela mandava que a cozinheira fizesse tudo de uma vez só, o que nos deixava, criança que éramos eu e minha irmã, sem nem saber por onde começar. Foi lá que aprendi a gostar de tudo o que é mineiro com algumas influências...o pão de queijo obrigatório, o cafézinho, a coalhada temperada com cheiro verde que só ela fazia à moda antiga e os famosos biscoitinhos de todo tipo que ela sempre tinha distribuídos em latas pela casa. Apesar de não ser tudo ela quem cozinhava...estes sabores fazem parte da minha infância e me influenciaram muito assim como o cheiro de sabonete Phebo que basta eu fechar os olhos para voltar para Alfenas.

Já minha avó materna (Vó Chica), esta sim cozinhava, e muito bem, apesar de ser uma culinária bem simples. Ela era uma dona de casa como a maioria da sua geração, porém, assim como eu (pois acho que aprendi com ela) gostava de cozinhar para as pessoas para animá-las quando estavam tristes, para presenteá-las nas datas comemorativas, para festejar algum acontecimento, ou seja...tudo era motivo para fazer algo para alguém e sempre com muito carinho. Perdi as contas de quantos anos eu a vi fazer as "roscas de Natal" dela com goiabada em cima (uma para cada filho) e os ovos de páscoa que ela mesma fazia para todos os netos na Páscoa, isso sem contar os preferidos daqui de casa: rocambole recheado com leite condensado cozido, doce de leite em pedaços, suspiro, bolo mármore e tantos outros que, juntos com as lembranás de Alfenas me fizeram quem eu sou hoje. E como disse do cheiro da minha Vó Zita, não podia deixar de mencionar que a Vó Chica cheirava Anais Anais...uma mistura de perfumes e sabores que me levam para muito longe.

Parece que foi assim que tudo começou e hoje eu tento me dedicar à esta arte um pouco mais do que elas tentaram ou puderam fazer para deixar na memória da Sarah e dos que estão a minha volta os sabores do que eu fizer com extremo carinho para eles.

4 comentários:

Sandreane disse...

Ai Fer, que post lindo!!!!!
Chegou a bater uma saudade da minha bisa.... Nooosssaaaaa :)
Ela também era mineiríssima e minhas férias eram fabulosas quando estava com ela.
Mias uma vez, parabéns pela casa nova e gostei do novo nome... Tudo a ver :)
Beijocas!

Fer Ayer disse...

Oi Sandreane, vc sabe que eu deveria ter colocado este nome desde o começo, mas na época não m veio a mente.
Beijos

Milton Kennedy disse...

D. Zita, grande e boa lembrança! Fundadora de uma casa de luz, o SARAI, assim como da Associação Alfenense de Alcoólicos Anônimos.

Cordial abraço e muita paz interior.

Fer Ayer disse...

Milton...obrigada pelo carinho com a memória da minha avó. Um grande abraço.